segunda-feira, 27 de junho de 2011

Deus Manifesta ao Homem sua Bondade e seu Amor no Sacramento da Eucaristia



Como Reflexão do Dia de Corpus Christi.

Senhor, confiando, em vossa bondade e misericórdia infinita, venho a vós como enfermo ao médico; como faminto sequioso, á fonte da vida; como pobre, ao rei do céu; como escravo ao meu criador; como aflito, a meu piedoso e consolador.
Mas donde me vem, meu Deus,a graça de virdes a mim? Quem sou eu para que vós mesmo vos deis a mim? Como se atreve o pecador a aparecer em vossa presença? Como vos dignais de ouvir o pecador?
Vós conheceis vosso servo e sabeis que não há em mim bem algum que mereça esta graça. Confesso, pois, minha vileza, reconheço vossa bondade, louvo vossa piedade e vos dou graças por vossa caridade infinita.
Pois, assim agis comigo, não por meus merecimentos, senão por vós mesmo, para dar-me a conhecer melhor vossa bondade; para que se infunda maior caridade e aprenda, a vosso exemplo, a humilhar-se mais perfeitamente.
E, pois, vos agrada, e assim mandastes se fizesse, recebo com alegria a graça que vos dignais fazer-me: Oxalá não lhe ponha obstáculo minha iniquidade!
Ó dulcíssimo e benigníssimo Jesus!e louvores perpétuos não vos devemos, por nos haverdes dado vosso sacratíssimo corpo, tão elevado acima de tudo que pode exprimir a língua humana!
Mas que posso eu pensar nesta comunhão, se chegar-me a meu senhor, a quem não posso venerar devidamente e a quem desejo contudo receber dignamente?
Que pensamento melhor e mais saudável posso eu ter que humilhar-se profundamente diante de vós e exaltar vossa infinita bondade sobre mim?
Louvores vos dou, Deus meu, e desejo que para sempre sejas louvado. Desprezo-me e confundo-me diante de vós no abismo de minha vileza. Vós sois o santo dos santos e eu o refugo dos pecadores. Inclinai-vos para mim, que não sou digna de levantar os olhos para vós. Vindes a mim, quereis estar comigo, convidais-me à vossa mesa.
Quereis dar-me a comer o manjar celestial, o pão dos anjos, que não é outra coisa senão Vós Mesmo, "ó pão vivo que desceste do céu e dais vida ao mundo"(Jo 6, 48, 60).
Quão excessivo é pois vosso amor!
Quão inefável vossa bondade! Quantas graças e louvores nos são devidos por tão estupendo benefício!
Oh! quão saudável e proveitoso desígnio tivestes na instituição deste sacramento! Quão suave é, e quão jucundo este banquete, em que a vós mesmo vos dais por comida!
Oh! quão admiráveis são as vossas obras, senhor, quão poderosa vossa virtude! Quão infalível vossa verdade! "Falastes, e tudo foi feito", e não se fez senão o que vós mandastes. (Sl 148,5).
Coisa maravilhosa é, que nenhum homem pode compreender, mas que todos devem firmemente crer, que vós senhor meu, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, estais todo inteiro debaixo das espécies do pão e vinho, e que sejais comido por quem vos recebe, sem padecer a menos destruição!
Soberano senhor do mundo, vós, que não tendo necessidade de ninguém, quisestes contudo habitar em nós por vosso Sacramento, conservai sem mancha a minha alma e meu corpo, para que possa mais frequentemente celebrar vossos santos mistérios, com a alegria duma consciência pura e receber para minha salvação eterna, o que instituístes principalmente para a glória vossa e para perpetuar para sempre a memória de vosso amor.
Alegra-te, minha alma, e dá graças a Deus por um Dom tão excelente e por tão singular consolação que neste vale de lágrimas te deixou.
Todas as vezes que celebras este mistério e recebes o corpo de Cristo, representas  a obra de tua redenção e te fazes participante de todos os seus merecimentos. Porque a caridade de Cristo nunca enfraquece e jamais se extingue sua misericórdia infinita.
Por isso te deves sempre preparar para esta santa ação com uma nova devoção d'alma a meditar atentamente neste grande mistério de salvação.
Quando celebras o divino sacrifício, ou quando a ele assistes, deve parecer-te tão grande, tão novo, tão digno de amor, como se neste mesmo dia Jesus Cristo descendo pela primeira vez ao seio da Virgem Maria, se fizesse homem, ou pregado na cruz sofresse e morresse pela salvação do mundo.





























































































































































































































































































































































































































































































































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